Os mitos e verdades do armazenamento das células-tronco do cordão umbilical

Pesquisador fala sobre as vantagens do armazenamento de células-tronco do cordão umbilical.  

Elíseo Sekiya fala sobre as vantagens do armazenamento de células-tronco do cordão umbilical.

Em sua opinião, há vantagens em armazenar as células-tronco do sangue de cordão umbilical?

Sem dúvida. Após 20 anos de investimento em pesquisas e utilização, as células-tronco do sangue de cordão umbilical se tornaram um recurso terapêutico consolidado e utilizado no tratamento de centenas de pacientes. Atualmente são conhecidas várias fontes de células-tronco humanas, porém, o sangue de cordão umbilical apresenta inúmeras vantagens em relação às outras, como a facilidade de obtenção, a possibilidade de conservação congelada por longos períodos, a pronta disponibilidade em caso de necessidade de uso, entre outras.

Qual a sua opinião sobre a afirmação de que o armazenamento do sangue de cordão umbilical para uso próprio não é recomendável?

Se levarmos em conta que a grande maioria dos transplantes de medula óssea para tratamento das doenças oncohematológicas são realizados com células-tronco da medula óssea do próprio paciente, num momento da vida em que a doença já está em fase avançada, imagine se tivéssemos as células-tronco destes pacientes colhidas por ocasião do nascimento, quando não havia indícios da doença. Sob este ponto de vista não parece sensato desencorajar as famílias que decidem conservar as células-tronco dos seus filhos, pois deste modo estaríamos contrariando a prática atual de transplantes da medula óssea.

O senhor concorda que as células-tronco do cordão umbilical tem uma baixa probabilidade de utilização pela própria pessoa?

Sim. As chances atuais de uma pessoa usar as células-tronco do sangue do cordão pessoal para tratamento das doenças oncohematológicas antes de 20 anos de idade são relativamente baixas, sendo estimadas em 1 para 2.700 casos. Entretanto, é importante lembrar que estas são doenças fatais e se não preservamos estas células, estaremos perdendo uma oportunidade de tratamento.

As células-tronco do sangue de cordão umbilical já foram utilizadas para tratamento de doenças no Brasil?

Sim. As células-tronco do sangue de cordão umbilical são amplamente utilizadas no Brasil e no mundo para tratamento de inúmeras doenças. No Brasil surgem em média cerca de 5.000 pessoas diagnosticadas com estas doenças por ano, segundo os dados publicados pelo Instituto Nacional do Câncer (INCA) relativo a levantamento realizado sobre pacientes com doenças tratáveis pelo transplante de medula óssea. Neste levantamento foi demonstrado que a média anual de transplantes de medula óssea no Brasil é de cerca de 2.000 transplantes, sendo que mais da metade destes casos são realizados utilizando como fonte as células-tronco do sangue de cordão umbilical.

Como o senhor comentou na questão anterior, podemos deduzir que cerca de 3.000 pacientes com indicação de transplante de medula óssea ficam sem tratamento. Por que isso ocorre? Há alguma alternativa?

Infelizmente esta é uma situação que decorre da dificuldade de encontrar doadores de medula óssea compatíveis com estes pacientes. Caso o paciente não possa utilizar suas próprias células ou não tenha suas células colhidas e guardadas previamente, estes pacientes correm o risco de não encontrar doadores compatíveis a tempo de receberem o transplante.

Como alternativa para estes pacientes, muitos países têm estimulado a doação de sangue de cordão umbilical para bancos públicos. Apesar destas iniciativas, em países com grande taxa de miscigenação (mistura genética) como no Brasil, a guarda do SCU para uso autólogo (pela própria pessoa) ou familiar (para parentes) pode ser mais indicado, uma vez que não há células mais compatíveis para um paciente do que as suas próprias células e a possibilidades de compatibilidade são muito maiores entre parentes.

Recentemente foi divulgado que uma unidade de sangue de cordão umbilical não seria suficiente para o tratamento de uma pessoa adulta. O senhor concorda com esta afirmação?

Não. Nesta questão é importante considerar a quantidade de células-tronco presentes na unidade de sangue do cordão umbilical, o peso do paciente receptor e a finalidade do uso das células-tronco. A quantidade de células será um dos determinantes da possibilidade de uso desta unidade, pois dependendo do peso do paciente receptor poderá ser necessário maior ou menor número de células. Outro aspecto importante é que esta afirmação se refere à dose para utilização em tratamento pelo transplante de medula óssea. Nas aplicações em outros tratamentos em medicina regenerativa esta dose pode ser menor.

Finalmente, a expansão das células-tronco do sangue de cordão umbilical em laboratório se apresenta como resposta definitiva a esta questão, como demonstrado pelos resultados bastante positivos comprovando a segurança de utilizar células-tronco de cordão umbilical expandidas em laboratório para transplante de medula óssea.

Eliseo Sekiya
Pesquisador da Universidade de São Paulo – USP
Membro da Sociedade Internacional de Terapia Celular – ISCT
Diretor Científico da CordCell

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