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POR QUANTO TEMPO O SANGUE DO CORDÃO UMBILICAL PODE FICAR ARMAZENADO?


Estudo publicado no Stem Cells Translational Medicine (Oxford Academic) avalia a viabilidade de unidades de sangue de cordão umbilical criopreservadas há 27 anos, o maior tempo até o momento.

Um pouco de história

Desde o primeiro transplante de sangue do cordão umbilical em 1988, foram realizados mais de 40.000 transplantes com células-tronco do sangue do cordão umbilical. O interesse neste material biológico ocorre pela capacidade das células-tronco ali presentes se diferenciarem em células do nosso sistema sanguíneo.

À medida que o transplante com sangue de cordão evolui, surge uma questão crítica para usar e continuar preservando as unidades armazenadas: afinal, por quanto tempo podemos deixar o sangue do cordão umbilical criopreservado?

Ao longo das décadas, a equipe de pesquisa do Dr. Hal Broxmeyer (pioneiro no armazenamento criogênico de sangue do cordão) demonstrou que o sangue do cordão umbilical criopreservado após 5, 10, 15 e 23,5 anos de armazenamento é viável.

Agora, acaba de ser divulgada uma pesquisa abrangente de análises ex vivo e in vivo de unidades de sangue de cordão ainda mais antigas, 27 anos.

Algumas características do sangue do cordão eem transplantes

  • Menor incidência de doença do enxerto contra o hospedeiro quando comparado com a utilização de células-tronco da medula óssea.
  • Exige menor compatibilidade HLA (antígeno leucocitário humano) entre doador e receptor.
  • Uma vez armazenado, permanece prontamente disponível para uso.
  • A menor compatibilidade HLA e a sua disponibilidade aumentam o acesso para aqueles que não encontram doadores compatíveis, como é o caso das minorias raciais.

O estudo

Foram analisadas e comparadas: amostras de sangue de cordão umbilical armazenadas por 27 anos, amostras armazenadas por três anos e amostras frescas, nunca criopreservadas.

As amostras de 27 anos quando comparadas às unidades mais recentemente congeladas e frescas apresentaram:

  • números semelhantes do total de células nucleadas viáveis, células CD34+ e CTHs rigorosamente definidos (imunofenotipicamente);
  • números semelhantes de unidades formadoras de colônias independentemente do tempo de armazenamento;
  • capacidade de multiplicação ex vivo semelhante;
  • capacidade de enxertia de curto e longo prazo, bem como enxertia secundária in vivo.

Conclusão

Os estudos demonstram que células-tronco funcionalmente competentes podem ser recuperadas de unidades de sangue de cordão criopreservadas por pelo menos 27 anos.

O tempo de criopreservação de uma unidade não deveria ser um fator de exclusão de uso para transplante ou infusão. A partir do momento que a ciência acredita que as células-tronco podem ficar armazenadas por tempo indeterminado, aumenta-se de forma considerável a quantidade de unidades disponíveis para utilização em tratamentos.


Referências:

  1. STEM CELLS TRANSLATIONAL MEDICINE (OXFORD ACADEMIC). Abstract 16 Insights into Highly Engraftable Hematopoietic Cells from 27-Year Cryopreserved Umbilical Cord Blood. Hal Broxmeyer, Larry Luchsinger, Rona Weinberg, Alexandra Jimenez, Emeline Masson Frenet, Wouter van’t Hof, Maegan Capitano, Christopher Hillyer, Mark Kaplan, Scott Cooper, James Ropa.
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