As Células-tronco do cordão umbilical e o autismo
O transtorno do espectro autista (TEA) é um transtorno do neurodesenvolvimento caracterizado por déficits na interação social e na comunicação, interesses restritos e movimentos repetitivos, mas que diferem em seu curso de desenvolvimento, sintomas, linguagem e habilidades cognitivas.
Normalmente, a condição é diagnosticada aos 3 ou 4 anos de idade, embora os primeiros sintomas possam aparecer já nos primeiros meses de vida.

As causas do TEA ainda não estão completamente esclarecidas, mas já é sabido que há o envolvimento de fatores genéticos e ambientais. Atividade elétrica cerebral atípica, elevados níveis de proteínas (citocinas) pró inflamatórias circulantes no sangue, genes reguladores associados à ativação de células cerebrais e inflamação localizada têm sido associados ao TEA.
O estudo
O estudo, conduzido pela Duke University, EUA, quer validar a hipótese de que a infusão de sangue de cordão umbilical (SCU) facilitaria a proteção/reparo das células neurais, reduziria a inflamação e, assim, melhoraria a comunicação social. O racional seria que um tipo de célula presente no SCU, os monócitos CD14+, atuaria pela sinalização de célula para célula modulando a inflamação neurológica e/ou outras anormalidades imunológicas, melhorando, assim, as funções e o comportamento do cérebro.
A fase 2 do estudo incluiu 180 crianças com TEA, com idades entre 2 e 7 anos, que receberam uma única infusão intravenosa das próprias células de SCU (n = 56) ou de células de SCU de outras pessoas (n = 63) versus placebo (n = 61) e foram avaliadas no 3º, 6º, 9º e 12º meses pós procedimento.

Resultados
Há indicação de que a infusão de SCU foi segura e bem tolerada. As células foram aplicadas por via intravenosa e não houve notificações de reações adversas graves ao tratamento.
A análise sugeriu que em crianças com TEA sem déficit intelectual (QI > 70), o tratamento com SCU estava associado com melhora nas habilidades de comunicação, aumento da atenção e mudanças na atividade cerebral caracterizados pelo aumento da capacidade neurológica em todas as regiões do cérebro.
O uso do sangue do cordão para TEA segue em fase experimental. A Universidade de Duke possui um protocolo de acesso para pacientes selecionados, seja o uso autólogo ou aparentado.

Referências:
- CENTRO DE CONTROLE DE DOENÇAS E PREVENÇÃO DOS EUA ATUALIZOU DADOS SOBRE PREVALÊNCIA DO TEA EM DEZEMBRO DE 2021. Autismo e Realidade, 2022. Disponível em: https://autismoerealidade.org.br/2022/02/04/uma-a-cada-44-criancas -e-autista-segundo-cdc/. Acesso em: 2 abr. 2022.
- DAWSON, G. et al. A phase II randomized clinical trial of the safety and efficacy of intravenous umbilical cord blood infusion for treatment of children with autism spectrum disorder. The Journal of Pediatrics, 2020.
- MAENNER, M. J. et al. Prevalence and characteristics of autism spectrum disorder among children aged 8 years — autism and developmental disabilities monitoring network, 11 sites, United States, 2018. MMWR Surveill Summ, v. 70, n. SS-11, p. 1-16, 2021. Disponível em: https://www.cdc. gov/mmwr/volumes/70/ss/. ss7011a1.htm?s_cid=ss7011a1_w. Acesso em: 2 abr. 2022.
- US NATIONAL LIBRARY OF MEDICINE. ClinicalTrials.gov. Disponível em: https://www.clinicaltrials.gov/ct2/show/NCT03327467?term=cord+blood& cond=autism&draw=2&rank=10. Acesso em: 2 abr. 2022.

