Tratamento com células-tronco do cordão umbilical repara cegueira

Menina britânica teve sua visão reparada por um tratamento com células-tronco

Uma menina britânica de dois anos de idade que nasceu cega teve sua visão reparada graças a um tratamento com células-tronco.

A britânica Dakota Clarke, da cidade de Newtownabbey, na Irlanda do Norte, nasceu com displasia septo óptica, uma deficiência rara no nervo ótico que provoca cegueira.

Ela foi submetida a um tratamento no hospital de Qingdao, na China. Segundo a família, que arrecadou dinheiro por meio de doações para a operação na China, o tratamento e a cirurgia não são realizados na Grã-Bretanha.

O tratamento utiliza células-tronco retiradas do cordão umbilical da criança e injetadas na corrente sanguínea e corrigem as células danificadas.

Após o tratamento, Dakota Clarke conseguiu ver contornos e cores dos objetos e distinguir luzes à sua volta.

O método, conhecido como IV, foi desenvolvido pela empresa americana de biotecnologia Beike Biotech, que realiza tratamentos em 24 hospitais na China.

“Nós não achávamos que o método IV sozinho seria capaz de realizar tantos benefícios. Mas a experiência no caso de Dakota está nos fazendo repensar completamente o uso do IV”, disse o diretor de comunicação da Beike Biotech, Jon Hakim, ao jornal britânico Daily Telegraph.

Os pais de Dakota, Darren e Wilma, disseram que o tratamento tem funcionado como um ‘milagre’. Segundo o jornal “Daily Telegraph”, apenas cerca de 15 pessoas passaram por este tipo de tratamento, que ainda é considerado experimental.

Fonte: Folha OnLine da BBC Brasil.

Comentário:

No Brasil existem outros pesquisadores avaliando as aplicações de células-tronco em doenças oftálmicas. Um dos especialistas é o professor Rubens C. Siqueira, responsável pela disciplina de oftalmologia da faculdade de medicina de Catanduva-SP e professor colaborador da USP-SP. Em sua recente publicação, faz revisão sobre a terapia celular nas doenças oftálmicas e cita a potencialidade das células-tronco neste tipo de tratamento. Participa ainda, do estudo de injeção de células-tronco da medula óssea em pacientes portadores de retinose pigmentar, doença genética que provoca cegueira irreversível, conduzido na Universidade de São Paulo.

Esses estudos em humanos ainda estão na fase inicial. Porém, em situações como essa descrita da paciente Dakota Clarke, é inegável o resultado positivo conseguido. Agora é importante que sejam realizadas outras análises, principalmente para estabelecer a causa do efeito benéfico e do tempo de duração desse efeito, para que realmente seja padronizado tratamento efetivo.

Eliseo Sekiya
Pesquisador da Universidade de São Paulo – USP
Membro da Sociedade Internacional de Terapia Celular – ISCT
Diretor Científico da CordCell

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